IV Counter Image 2026
Conferência Internacional

Como falar com(o) a terra?
Conhecimentos situados, métodos para desnomear e visões do umbral

18, 19 e 20 de novembro de 2026
Universidade do Algarve
Faro, Portugal

A Conferência Internacional Counter-Image é organizada pelo ICNOVA-Instituto de Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. A conferência teve três edições anteriores, em 2019 (Lisboa), 2022 (Lisboa) e 2024 (Florianópolis) e na sua génese está um grupo de estudantes de doutoramento e pós-doutoramento portugueses e brasileiros do EVAM-Observatório de Estudos Visuais e Arqueologia dos Media. A Counter-Image expandir-se-ia para se tornar num fórum de discussão internacional que tem como objetivo reunir investigadores de cultura visual, arte e outras mediações, estudos da memória e humanidades ambientais, bem como artistas, fotógrafos.as, cineastas, performers, curadores.as e ativistas interessados.as em debater a “visualidade” como discurso de poder, a imagem enquanto laboratório do pensamento (em vez de mera ilustração ou representação) e a produção artística como modo de conhecer numa perspetiva decolonial e ecocrítica, em conversação com o Sul Global. Nesta edição de 2026, que terá lugar em Faro, teremos como oradores principais Gabriela Milone e Franca Maccione da Universidad Nacional de Córdoba (Argentina) e Felipe Milanez da Universidade Federal da Bahia. Os nossos parceiros incluem o CIAC-Centro de Investigação em Arte e Comunicação da Universidade do Algarve, co-organizador desta edição, o ICON-Center for Cultural Inquiry da Universidade de Utrech e o IRCAV-Institut de Recherche sur le Cinéma et l’Audiovisuel da Sorbonne Nouvelle.

A Conferência Internacional Counter-Image é organizada pelo ICNOVA-Instituto de Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. A conferência teve três edições anteriores, em 2019 (Lisboa),2022 (Lisboa) e 2024 (Florianópolis) e na sua génese está um grupo de estudantes de doutoramento e pós-doutoramento portugueses e brasileiros do EVAM-Observatório de Estudos Visuais e Arqueologia dos Media.
A Counter-Image expandir-se-ia para se tornar num fórum de discussão internacional que tem como objetivo reunir investigadores de cultura visual, arte e outras mediações, estudos da memória e humanidades ambientais, bem como artistas, fotógrafos.as, cineastas, performers, curadores.as e ativistas interessados.as em debater a “visualidade” como discurso de poder, a imagem enquanto laboratório do pensamento (em vez de mera ilustração ou representação) e a produção artística como modo de conhecer numa perspetiva decolonial e ecocrítica, em conversação com o Sul Global.
Nesta edição de 2026, que terá lugar em Faro, teremos como oradores principais Gabriela Milone e Franca Maccione da Universidad Nacional de Córdoba (Argentina) e Felipe Milanez da Universidade Federal da Bahia. Os nossos parceiros incluem o CIAC-Centro de Investigação em Arte e Comunicação da Universidade do Algarve, co-organizador desta edição, o ICON-Center for Cultural Inquiry da Universidade de Utrech e o IRCAV-Institut de Recherche sur le Cinéma et l’Audiovisuel da Sorbonne Nouvelle.

“Eu não podia tagarelar como costumava fazer, tomando tudo por garantido.  As minhas palavras agora devem ser tão lentas, novas e hesitantes quanto os passos que dei descendo o caminho para longe de casa…”
Ursula K. Le Guin, Ela Tira-lhes os Nomes, 1985/2025 [trad. Liliana Coutinho]


A pergunta “Como falar com(o) a terra?” não é uma metáfora, mas uma urgência política, ontológica e epistémica diante do colapso ecológico, do esgotamento das gramáticas antropocêntricas e dos modelos de representação do regime colonial- capitalista e o seu paradigma de expansão e ocupação da terra – a plantação, cuja lógica de extração, objetificação e extinção perdura (Le Petitcorps et al. 2023; Bastos 2020; Thomas 2019; Haraway 2015; Tsing 2015, McKittrick 2013; Mirzoeff 2011; Stoler 2008, 2016; Hartman 2007). Os Pós com que insistimos em nomear um mundo (ainda) não superado – pós-colonialismo, pós-modernismo, pós-humanismo estão a ser substituídos pelo prefixo Geo (Pratt 2025, 2022; Coelho & Ponce de Léon 2025; Krieger 2022; Ray 2019, 2026; Latour 2018; Povinelli 2016). O “advento do Geo”, esclarece Mary Louise Pratt (2025), marca uma mudança de escala (do global para o planetário), de imaginário (do político para o ecológico) e de tempo (do histórico para o “tempo profundo” geológico). Esta condição requer o questionamento do que tomamos por garantido e formas outras de pensar e produzir conhecimento que Gabriela Milone e Franca Maccioni, em “The Land of Language, the Language of the Earth” (2025), iluminaram como “geo-logia” (a linguagem da terra) e “geo-grafia” (a escrita da terra). Tal implica “falar com a terra” em vez de “sobre a terra” e em termos de “semelhança” em vez de “diferença” – um “trabalho de imaginação” e “experimentação”. De subjetivação em vez de objetificação (Kopenawa 2010). De fusão em vez de ocupação (Krenak 2022).

“Como falar com(o) a terra” é então inseparável da questão de como a terra foi constituída como objeto, recurso e imagem e disso nos fala o conto de Ursula K. Le Guin, Ela tira-lhes os nomes (1985). Sobre o impulso colonial de nomear e identificar sem cuidado, criando fronteiras artificiais, ao mesmo tempo que nos exorta a encontrar formas de falar com outras criaturas. Falar “com” ou “como” em vez de “sobre” sinaliza um deslocamento epistemológico e exige-nos repensar a sua nomeação, mediação e representação. E se a terra não fosse o referente do discurso, mas a sua condição? E se a possibilidade de falar com(o) ela abrisse um espaço entre o individual e o múltiplo, entre o território situado e a totalidade planetária? Esta dialética é metodológica: uma prática de “desnomeação” – de erosão da semântica objetificante, extrativista e extintora. Se a terra foi mapeada, renomeada e cercada (e a propriedade privada criada), ela é também resistência, cosmopercepção e ritual.

A IV Counter-Image propõe explorar a terra não como tema, mas como onto-episteme. Não a linguagem universal e logocêntrica (que teima em separar o sujeito do objeto), mas antes conhecimentos situados, enraizados nos territórios, corpos e relações que habitam as frestas da colónia e do capital. Não a semântica antropocêntrica da ciência positivista e da sua fictícia objetividade, mas antes métodos para desnomear que suspendam as taxonomias coloniais e permitam que o solo, o fóssil, o animal, a planta, a pedra, a árvore, o rio, a montanha, o líquen, o fungo se apresentem na sua singularidade irredutível e também em proximidade. Não a pseudo “visão de lugar nenhum”, mas antes as visões do umbral, aquelas fabricadas a partir do pial das casas das nossas avós ou nas horas crepusculares, em imagens dialéticas e incandescentes de sínteses impossíveis.

Com vista à profusão de questionamentos, mais do que à sua resolução, a IV Counter- Image pergunta: o que significa pensar com(o) a terra em vez de sobre ela? É possível traduzir a linguagem da terra, dos animais, das plantas, dos minerais? É a “desnomeação” um método filosófico-estético? Como é que as visões do umbral suspendem os regimes extrativos de representação? Que práticas artísticas resistem, reconfiguram ou perturbam os regimes coloniais sobre a terra? Como dar vida a formas de pertença, cuidado e reparação com vista a um mundo pós-extrativista? Ancorada no território do Algarve, mas expandindo ligações a outros territórios, convidamos investigadores, artistas, ativistas e ensaístas a submeterem propostas que dialoguem com os seguintes eixos temáticos:

1. Conhecimentos Situados 

Como e o que é que a terra lembra? Este eixo acolhe trabalhos ancorados em composições relacionais e geo-subjectividades que desafiam a “visão de lugar nenhum”, bem como a incerteza, a falha e a contradição, encorajando a conexão entre pesquisa e experiência vivida.

      • Terricidio” (Millán 2024) e buen vivir
      • Epistemologias artesanais (Farago et al 2025) e epistemologias do Sul
      • Ecologias decoloniais, anti-extrativistas, ecofeministas, queer e trans
      • “Ecologias exílicas” (Marder 2023)
      • Cosmopolíticas indígenas e afro-diaspóricas
      • O baldio e o quilombo/quilombismo (B. Nascimento 1977, A. Nascimento 1980)
      • “Arquivos Insurgentes” (Biehl 2022) e contra-cartografias
      • Lutas ambientais, os seus lutos e justiça multiespécie
      • Crítica às taxonomias Lineanas e biopolíticas
      • Histórias ambientais, políticas da paisagem e “piropolítica” (Marder 2020)

2. Métodos para Desnomear

Se nomear é colonizar, como podemos desnomear para aproximar? Este eixo acolhe trabalhos sobre geo-semânticas e experimentações metodológicas e pedagógicas que erodam o olhar extrativista e especista.

      • Desnomear como método filosófico-estético
      • Poéticas do silêncio e escuta profunda
      • Caminhar como método e “ver com o corpo todo” (Cusicanqui 2015)
      • Ontologias fósseis (Castro 2023), minerais e animais
      • Geo-estéticas (Coelho & Ponce de Léon 2025; Krieger 2022; Ray 2019), incluindo vulcânicas e das ervas ditas daninhas
      • Estéticas e “alianças líquidas” (Mendes & Garcia-Antón 2026)
      • Narrativas de relacionalidade e métodos multiespécie
      • Contracolonizar (Nêgo Bispo 2015)
      • Arte como laboratório de pensamento (e não como representação)
      • Cinema animista e montagens visuais anti-extrativistas e anti-especistas

3. Visões do Umbral 

Como habitar o umbral e mover-se entre mundos? Neste eixo acolhemos as formas que excedem os preceitos dualistas do Plantationoceno/Capitaloceno – as geo-coreografias que nos conduzem ao alargamento de afinidades e alianças.

      • Epistemologias do umbral
      • “Dark ecology” (Morton 2016), deep time e temporalidades submersas
      • Ecologia popular
      • Agência não-humana e a redistribuição do sensível
      • “Ruínas do Plantationoceno/Capitaloceno” (Tsing 2015)
      • “Zonas intersticiais” (Gomez-Barris 2017), conhecimentos ribeirinhos e da beira-mar
      • Imagens dialéticas (Benjamin 1940) e “peles de imagens” (Kopenawa 2010)
      • Visões “ch’ixi” (Cusicanqui 2015)
      • “Alianças afetivas” (Krenak 2022)
      • “Florestania” (Krenak 2022) e “lutas com a floresta” (Milanez 2024)

Datas importantes 

05 de junho  25 de maio | envio de propostas
30 de junho | notificação de aceitação
18-20 de novembro | conferência

Formatos de submissão : 

      • Comunicações (pesquisas teóricas ou empíricas): sumário até 300 palavras
      • Intervenções artísticas (performances, leituras poéticas): memória descritiva até 300 palavras
      • Rodas de conversa, oficinas, caminhadas de escuta, cartografias afetivas: memória descritiva até 300 palavras


O sumário (em português, espanhol ou inglês) deve fazer-se acompanhar de uma biografia breve (até 100 palavras) para:

counterimageconference@fcsh.unl.pt

 

Gabriela  Milone

Universidad Nacional de Córdoba, Argentina

Doutorada em Letras pela Universidade Nacional de Córdoba (Argentina), Professora Auxiliar de Hermenêutica na Escola de Letras Modernas da mesma universidade e Investigadora do CONICET (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas). Publicou diversos artigos e livros sobre, entre outros temas, a matéria da voz no âmbito dos atuais debates sobre posições antropocêntricas e a partir dos materialismos contemporâneos. É investigadora principal de dois projetos financiados: Ficciones teóricas. Imaginación y materialismos en la literatura y las artes contemporáneas e Indagaciones sobre el método de la crítica desde el despuntar de la imaginación en la teoría contemporánea. Entre as suas publicações mais relevantes destacam-se Luz de labio. Ensayos de habla poética (2015) e Ficciones fónicas. Materia, paisajes e insistencias de la voz (2022) e os livros de poesia escribir no importa (2016) e no diario (2022).

Franca Maccioni

Universidad Nacional de Córdoba, Argentina

Doutorada em Letras pela Universidade Nacional de Córdoba (UNC, Argentina), docente de Hermenêutica no curso de Letras Modernas da mesma universidade e investigadora adjunta do CONICET (Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas). A sua área de investigação compreende os imaginários da Bacia do Rio de la Plata e a dimensão líquida na escrita e estética contemporâneas, com especial ênfase no estudo da poesia fluvial argentina, a partir de perspectivas materialistas. Entre outros artigos e publicações sobre poesia e filosofia, é autora do livro de ensaios Desbarros. Informe poético sobre el río Paraná (2025); co-editora, juntamente com Gabriela Milone e Silvana Santucci, do livro Imaginar-Hacer: ficciones teóricas para la literatura y las artes contemporáneas (2021) e co-editora, com Javier Ramacciotti, de Hacer. Ensayos sobre el recomenzar (2015).

Felipe Milanez

Univeridade Federal da Bahia, Brasil

Professor de Humanidades e do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal da Bahia. É doutorado pelo CES da Universidade de Coimbra e possui um extenso histórico de pesquisa interdisciplinar sobre conflitos socioambientais na região amazônica e na Bahia. A partir da Ecologia Política, seu trabalho aborda criticamente questões como o extrativismo, a justiça ambiental e os direitos territoriais indígenas. No passado, trabalhou como jornalista, editor e realizador. Nos últimos anos, tem se concentrado no desenvolvimento de trabalho em diálogo com mestres indígenas e quilombolas e na promoção do reconhecimento do seu conhecimento. Seu trabalho é caracterizado por um forte compromisso com a pesquisa socialmente engajada, fazendo a ponte entre a investigação acadêmica e o discurso público. Tem publicado extensivamente em português, inglês e espanhol. Seu último livro intitula-se Lutar com a Floresta (2024).

 

Cronograma

 
Novo Prazo

5 de junho, 2026


25 de maio de 2026

Propostas de resumo

30 de junho
Notificação de Aceitação

 

Localização 

 
Anfiteatro 1.5 
Campus da Penha 
Universidade do Algarve
8005-139 Faro, Portugal

 

Restaurantes

 
Faro (Ilha)
Mar & SolZé MariaZé dos MatosSalmareWax

Faro (Cidade)
à do PintoTertúlia AlgarviaSão DomingosPetisqueira 3 em Pipao PitéuTaberna ModestoGardy8 Tapas


Totalmente Vegan ou Vegetariano

 Mel e Limão; Outro Lado; Vegan Box; Vida Leve


Todas as opções ficam no centro de Faro, a 20 minutos a pé do Campus da Penha da Universidade do Algarve, excepto as localizadas na Ilha de Faro

 

Comissão Organizadora 

 

Inês Beleza Barreiros (ICNOVA, NOVA FCSH)
Liliana Coutinho (IHC, NOVA FCSH)
Maria do Carmo Piçarra (ICNOVA, NOVA FCSH)
Salomé Lopes Coelho (ICON, Utrecht University)
Sílvia Leiria Viegas (CIAC, Universidade do Algarve)
Teresa Castro (IRCAV, Sorbonne Nouvelle)
Teresa Mendes Flores (ICNOVA, NOVA FCSH)

Comissão

Científica 

 
Ana Lúcia Marsillac (Universidade Federal de Santa Catarina)
Ana Pais (ICNOVA, NOVA FCSH)
Bruno Mendes da Silva (CIAC, Universidade do Algarve)
Cristiana Bastos (Instituto de Ciências Sociais)
Filippo Di Tomasi (ICNOVA, NOVA FCSH)
Iacã Macerata (Universidade Federal de Santa Catarina)
Isabel Stein (ICNOVA, NOVA FCSH)
Leila Lehnen (Brown University)
Luís Trindade (IHC, NOVA FCSH)
Margarida Brito Alves (IHA, NOVA FCSH)
Margarida Mendes (ICNOVA, NOVA FCSH)
María Gloria Robalino (Washington University St. Louis)
Maria Teresa Cruz (ICNOVA, NOVA FCSH)
Marita Sturken (New York University)
Maura Castanheira Grimaldi (ICNOVA, NOVA FCSH)
Mirian Nogueira Tavares (CIAC, Universidade do Algarve)
Patrícia Martins Marcos (University of Oklahoma)
Patrícia Martinho Ferreira (Brown University)
Paulo Nuno Vicente (ICNOVA, NOVA FCSH)
Peter Krieger (IIE, UNAM)
Raquel Schefer (IRCAV, Sorbonne Nouvelle)
Rui Gomes Coelho (Durham University)
Susanne Knittel (ICON, Utrecht University)

 

Informação Institucional 

 

Organização:
ICNOVA, FCSH, Universidade Nova de Lisboa
CIAC, Universidade do Algarve

Coordenação CIAC:
Bruno Mendes da Silva
Mirian Tavares

Comissão de Comunicação e Logística CIAC:
João Paulo dos Reis e Cunha (Gestão)
Juan Manuel Escribano Loza

Cobertura Fotográfica e Audiovisual:
João Paulo dos Reis e Cunha (CIAC)

Desenho gráfico:
Maura Grimaldi (ICNOVA)

Site:
Patrícia Contreiras (ICNOVA)

Apoio institucional:
ICON, Utrech University
IRCAV, Sorbonne Nouvelle
IHC, FCSH, Universidade Nova de Lisboa

Financiamento

 
Este evento é financiando por fundos nacionais através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito dos seguintes projetos:

ICNOVA UID/5021/2025 (DOI:10.54499/UID/05021/2025)

CIAC UID/04019/2025 (DOI:10.54499/UID/04019/2025) e UID/PRR/04019/2025 (DOI:10.54499/UID/PRR/04019/2025)

IHC UID/04209/2025 (DOI: 10.54499/UID/04209/2025) e LA/P/0132/2020 (DOI: 10.54499/LA/P/0132/2020)